EMOÇÃO X RAZÃO – UMA QUESTÃO DE EQUILÍBRIO E AUTOCONHECIMENTO

Falar de emoção nos dias de hoje pode parecer um pouco repetitivo, pois termos como “Inteligência Emocional” são exaustivamente comentados e abordados, principalmente nas organizações. Está na moda!
Insistimos em tratar desse tema, pois as atuais abordagens limitam-se a variável emoção, e como é de praxe, na superficialidade conceitual do assunto. Isso não tem se mostrado eficaz nem tampouco suficiente no contexto prático das empresas e das pessoas, considerando que a natureza humana não é unicamente constituída dessa essência emocional além de necessitar de experiências práticas para que o aprendizado/desenvolvimento seja caracterizado. Não vamos nos prolongar muito na questão prática como catalisador do aprendizado e da experiência, pois não é nosso foco desse artigo, mas pretendemos sim acrescer o fundamentalismo da razão como parte fundamental da discussão.
Nossa personalidade possui um aspecto racional que deve exercer um papel de igual significância no dia-a-dia, principalmente em um país essencialmente movido pelas emoções, como é o caso do Brasil. Ficar batendo na tecla de que apenas a emoção é importante torna-se um erro.
Quando sacrifica-se um em detrimento de outra o resultado percebido é o
sentimento de que “algo está errado”. Uma sensação de vazio e em alguns casos um aparente sofrimento é aflorado, pois emoção e razão só são úteis quando entendidas de forma equiparada. Literalmente, o sucesso está no equilíbrio quando se fala de comportamento e resultados.
É muito comum encontrarmos aqueles indivíduos que no seu dia-a-dia mostram-se exageradamente emocionais e os opostos, aqueles exageradamente racionais.
A expressão comportamental mais evidente dos indivíduos orientados a emoção é que muitas vezes só enxergam o que lhe é conveniente. Ficam entorpecidos pelas suas emoções e não querem saber de mais nada. Só os importa o prazer e a satisfação. Normalmente não são focados nos resultados efetivos, apenas nas experiências que por ventura podem gozar.
Os extremamente racionais são considerados usualmente como céticos, pois usam com frequência frases como: “só acredito vendo!”, “como isso pode ser provado?”, etc. Tudo para eles deve ser baseado em fórmulas, números e fatos concretos.
É comum que seus pares os vejam como pessoas “frias” e inflexíveis, pois relacionar-se para eles, é uma atitude secundária. Lembram-se do Spock,
o famoso personagem do seriado “Jornada nas Estrelas”? Ele lembra bem uma pessoa com esse perfil!
Não podemos nos esquecer de também de um terceiro personagem nesse cenário.
Aquelas pessoas que oscilam drasticamente de um oposto ao outro. Normalmente são vistos como os “loucos” da história, incompreensíveis e instáveis.
As situações de nosso cotidiano exigem um misto das duas características, um meio termo equilibrado e harmônico.
Agir de forma coerente e harmônica obriga-nos a desenvolver nossa determinação e força de vontade, que na prática não é tão fácil assim, pois consiste principalmente em vencer os maus hábitos que teimam em forçar as atitudes costumeiras. “Mesmas ações, mesmos resultados”.
Na prática o que temos que fazer é enveredar-se em um processo de
autoconhecimento, saindo da rotineira zona de conforto em que vivemos e
enfrentando todas as nossas limitações com coragem. Tudo tem uma origem, uma causa, que precisa ser devidamente identificada e compreendida quando falamos em potencializar nossos resultados através de nossos comportamentos e consequentemente equalização de nossa emoção e nossa razão. A frase tão preconizada pelo pensador Sócrates: “conheça ti a ti mesmo” é extremamente pertinente quando falamos disso.
Ao se autoconhecer, tornando-se cada vez mais consciente, você caminha para o que Lao Tse define como “sapiência suprema”. Segundo o filósofo chinês, que viveu no século 6 a.C. e até os dias atuais é considerado uma das pessoas mais sábias da humanidade: “Inteligente é quem outros conhece; / Sapiente é quem conhece a si mesmo; / Forte é quem outros vence; / Poderoso é quem domina a si mesmo”.
Afinal de contas, conceitos são apenas conceitos e o que realmente importa é isso!

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