“A falta de educação e a indústria do infrator”. Ouça a primeira reportagem da série sobre o trânsito de Blumenau

Durante a produção da matéria, flagramos um taxista estacionando em vaga para deficientes. (Jotaan Silva/RNR)

Sábado, 10h30min. Você entra na Rua XV de Novembro, não encontra vaga para estacionar. Você não quer pagar pelo estacionamento privado. Então dá a volta, entra na Curt Hering e, de repente, vê um clarão. No chão está desenhada uma cadeira de rodas. É uma vaga para deficientes físicos, mas… são só cinco minutinhos, não vai atrapalhar ninguém.

Essa situação, por mais específica que pareça, não é algo incomum. Muito pelo contrário. Acontece mais do que a gente imagina. Pra se ter ideia, até eu, fazendo essa reportagem, encontrei um desses “motoristas dos cinco minutinhos”. Foi um taxista, em plena XV.

Nesse caso específico do taxista, a parada não configurou um embarque e desembarque, porque ele esperou o passageiro fazer os serviços no banco para então arrancar. E não adianta ligar o pisca-alerta. A multa foi aplicada em um erro e uma desobediência muito comum, como explica Tarcísio dos Santos, chefe da Guarda Municipal de Trânsito.

Somente no ano passado, 279 motoristas foram multados por estacionar em vagas para deficientes físicos. Uma leve alta em comparação a 2014, quando 268 foram autuados, mas em comparação a 2013 uma considerável queda de 35%. Já no caso de vagas para idosos, a diminuição também é muito notória, mas o número de casos ainda é elevado. Em 2015 foram 925 multas, 1008 a menos do que em 2012. O empresário Hugo Daniel Rodrigues, cansou de cobrar de pessoas que estacionavam em duas vagas que ficam bem em frente a seu estabelecimento. A velha história do “é rapidinho” soa como uma desculpa padrão.

E olha, só foi sairmos da XV, passarmos pela Curt Hering, chegarmos na Sete de Setembro, pra flagrar mais um caso de desrespeito às vagas para idosos e deficientes físicos. Um motorista de um Fusca não percebeu a sinalização, que estava um pouco apagada, é verdade, colocou seu carro, e admitiu o erro.

E essa situação é corriqueira em Blumenau. Os “ladrões de mobilidade”, como disse a educadora de trânsito Márcia Pontes, tomam conta das ruas. Quem sofre é o próprio deficiente que acaba pagando o pato da má educação de outras pessoas. Maria Helena Mabba, presidente da Associação Blumenauense de Deficientes Físicos, a Abludef, conta que a questão do estacionamento é uma reclamação constante.

No início desse ano, o valor da multa pra quem estaciona em vagas para deficientes mais do que dobrou. Deixou de ser leve e passou a grave, custando ao infrator R$127, além de cinco pontos na carteira. Mas vai além de números e esbarra na mobilidade para pessoas com deficiência, no respeito àqueles com dificuldades motoras e na consciência de se fazer o que é certo.

Vai muito, muito além dos “cinco minutinhos”.

Compartilhar
“O espaço para a participação dos ouvintes internautas no site da Rádio Nereu Ramos, tem como missão principal promover o debate dos assuntos de interesse da sociedade e que são abordados pelo jornalismo da emissora.
Comentários que contenham palavrões, ataques e ameaças pessoais ou que incentivem a violência, discriminação ou ódio contra uma pessoa ou grupo de pessoas devido à religião, raça, origem ou ideologia política, serão sumariamente excluídos.
Também não serão permitidas postagens com conteúdo comercial. Ofertas de produtos são proibidas, assim como publicar endereço de sites que façam vendas online e banner publicitários.
A responsabilidade civil e penal sobre o conteúdo publicado é do autor do conteúdo enviado para o site da emissora.”